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Como é realizada a avaliação de risco para suicídio?
A maior parte das pessoas, que tentaram suicídio, possuíam um transtorno mental que não foi identificado e devidamente tratado. Por essa razão, a avaliação de risco tem, como principal estratégia, identificar, precocemente sinais de doença mental. Alguns fatores contribuem para que o diagnóstico seja tardio. Do ponto de vista social, pode-se pensar no significado que a loucura adquire, na sociedade, o estigma e preconceito. Outro ponto a ser destacado é a falta de capacitação de profissionais em Saúde Mental. A seguir, irei elencar os principais transtornos mentais associados ao suicídio e análise de risco.
Depressão
A depressão é um transtorno que é comumente associado ao suicídio. Talvez pela sua alta taxa de prevalência se comparado aos demais transtornos. Estima-se que cerca de 6% a 8% por cento da população fará um episódio depressivo no ano. Ao longo da vida até 25% das mulheres e de 10% a 12% dos homens. Segundo a OMS, é a doença que responde à segunda maior causa de incapacitação no mundo.
Os principais sintomas da depressão são a anedonia, humor triste na maior parte do dia, alteração de sono e apetite, irritabilidade, perda da memória, sentimento de desesperança, culpa, prevalência de pensamentos negativos e de morte. O tratamento deve ser construído junto com o paciente respeitando sua cultura familiar e valores.
Existem diferentes graus e tipos de depressão: leve, moderado e grave. A depressão grave, a refratária e a psicótica são as que apresentam maior risco. Nesses casos, é fundamental o acompanhamento com psiquiatra. A estratégia de tratamento a ser adotada deve considerar todos esses fatores. A maior parte dos tratamentos envolve psicoterapia, psiquiatria, atividade física e até mesmo a espiritualidade.
Transtorno Bipolar
O transtorno bipolar também é muito frequente e acomete 1,5% da população. Caracteriza-se por apresentar alterações de humor, que se manifestam por episódios de depressão alternando-se com euforia (mania) em diversos graus de intensidade. Frequentemente encontra-se associado a outras doenças mentais comórbidas como a dependência de álcool e outras drogas e transtornos de personalidade. O transtorno bipolar é o transtorno mental mais associado ao suicídio. Estima-se que 50% dos portadores desse transtorno tentam suicídio ao menos uma vez na vida e 15% efetivamente cometem. O risco maior acontece na alternância de fase. O tratamento deverá envolver acompanhamento psiquiátrico e psicológico. O primeiro medicamento de escolha para esse transtorno é o lítio por reduzir a impulsividade e agressividade, funcionando como estabilizador de humor. A psicoterapia auxilia na adesão medicamentosa, na compreensão dos gatilhos e gestão do estresse.
Transtorno relacionado ao uso de álcool e outras substâncias
É a segunda doença mental mais associada ao suicídio, após os transtornos de humor. Cerca de 5% a 10% dos dependentes de álcool acabam terminando suas vidas pelo suicídio. Por outro lado, boa parte das tentativas foram realizadas após ingestão de álcool ou uso de outra droga, sem, no entanto, serem dependentes. O uso intensivo e precoce dessas substâncias tem sido frequentemente associado ao suicídio em adolescentes e jovens. A abordagem desses pacientes é complexa e envolve o tratamento adequado da dependência, avaliação e tratamento de possíveis comorbidades. Importante que os familiares ao observarem alterações comportamentais compatíveis com o quadro procurem um profissional capacitado para orientação na abordagem.
Esquizofrenia
Esquizofrenia é uma doença crônica que afeta cerca de 1% da população. Tem início precoce na segunda década de vida, em ambos os gêneros. Caracteriza-se pela presença de sintomas que podem ser divididos em duas categorias: os positivos e negativos. Os positivos surgem quando o paciente rompe com a realidade e se manifesta através dos sintomas: delírios, alucinações, fala e comportamento desorganizado, distorção ou exagero na linguagem. Os sintomas negativos são: retraimento social, embotamento afetivo, passividade, empobrecimento do contato, dificuldade no pensamento abstrato dentre outros. A esquizofrenia está associada com o aumento de dez vezes do risco de morte por suicídio e 50% dos pacientes esquizofrênicos podem tentar suicídio ao longo do curso da doença. As tentativas são frequentemente associadas a depressão, estressores e fatores psicossociais. O suicídio é mais comum nos anos iniciais da doença. Em particular risco estão os pacientes que têm aspectos sadios muito preservados e apresentam juízo crítico da doença. O tratamento para esquizofrenia tem como objetivo o controle dos sintomas, a prevenção da recaída e a reinserção social. A terapia familiar é de fundamental importância para melhorar a comunicação, o suporte social e a adesão ao tratamento. O acompanhante terapêutico e o terapeuta ocupacional são profissionais que enriquecem o tratamento, diria até mesmo, essenciais.
Transtornos de Personalidade
Os transtornos de personalidade caracterizam-se por uma maneira peculiar de sentir, perceber a si e ao mundo e se relacionar. O diagnóstico só pode ser confirmado na fase adulta e persistem por muitos anos. A etiologia é considerada multifatorial, na qual aspectos biológicos, psicológico e social interagem. Dentre os transtornos de personalidade, o Borderline é o que apresenta maior risco de suicídio pela presença da alta impulsividade e o abuso de drogas. Os fatores desencadeantes são de natureza psicossocial.
Como é realizada a avaliação de risco?
A avaliação deverá ser realizada por qualquer profissional de saúde através de uma anamnese detalhada, detecção de transtorno mental ou sofrimento psíquico e suicibilidade. Existem três níveis de risco que exigem estratégias diferentes: baixo, médio e grave.
Risco baixo
A pessoa teve pensamentos suicidas, mas, não há planejamento. O manejo deverá envolver uma escuta acolhedora para amenizar o sofrimento e encaminhar para um profissional da saúde mental.
Risco médio
A pessoa apresenta pensamentos e planos, mas, não planeja atuar imediatamente. O manejo deve envolver total cuidado com o acesso do paciente a possíveis meios no próprio espaço de tratamento, escuta terapêutica (que deve ser realizada por um psicólogo), realização de contrato terapêutico de não suicídio e fortalecimento dos fatores protetivos. Encaminhar para o serviço de psiquiatria para avaliação e conduta.
Risco alto
A pessoa tem pensamentos, planos e meios e deseja fazê-lo prontamente. Já realizou tentativa prévia recente. O manejo é o mesmo do paciente de risco médio exceto pelo encaminhamento que deverá ser um serviço de emergência psiquiátrica.
Você sabe o que é Posvenção?
A posvenção é o cuidado dirigido a todos àqueles que de alguma forma, direta ou indiretamente, tiveram contato com o suicídio. Estudos demonstram que para cada pessoa que se suicida 60 pessoas são afetadas intimamente. As estratégias de cuidado para os “sobreviventes do suicídio” envolve o foco no suporte e cuidado familiar e abordagens de grupo de apoio ao luto, que tem se mostrado uma estratégia muito eficaz. Assim como, a psicoterapia.
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